A sustentabilidade, atualmente dentro do que é conhecido como ESG, já não pode ser ignorada pelas empresas. Segundo a pesquisa “Sustentabilidade & Liderança Industrial” da CNI (Confederação Nacional da Indústria), 60% das empresas têm sua própria área dedicada a meio ambiente e sustentabilidade. Na época, 70% afirmavam que ampliariam os investimentos na área até 2024.
De fato, é amplamente discutido como o setor industrial pode liderar nas iniciativas ambientais através da descarbonização, a transição energética, a circularidade, entre outras alternativas. Mas a sustentabilidade não se limita ao fator ambiental.
No aspecto social, ações de inclusão de funcionários, fornecedores e toda a comunidade refletem o impacto de uma empresa.
Ações de ESG devem contemplar ambos os aspectos, e ainda a governança corporativa, de forma alinhada aos objetivos de negócio. Cases de sucesso são mensuráveis, e durante a FEIMEC 2026 algumas empresas apresentaram seus programas dedicados à sustentabilidade.
Conheça alguns exemplos nos próximos tópicos.
Empoderamento feminino na logística
A palestra “Cultura que Move: Como a Deep Logística Transforma Cuidado em Estratégia” apresentou o case da empresa que, ao longo de quatro anos, implementou iniciativas para promover a inclusão e abrir espaço para que mulheres ocupassem posições de destaque.
Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) revelam que as mulheres representam 24% da força de trabalho global em logística. No Brasil, esse índice é de aproximadamente 20%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Além de promover a equidade, a diversidade de gênero tem se mostrado um motor para a inovação e um fator estratégico para o crescimento financeiro das empresas. Com esse cenário, Marcos Jeske, vice-presidente da Deep Logística, compartilhou insights sobre o projeto Poder Logístico Feminino.
“Quando entrei na logística em 2017, percebi que muitas filiais não ofereciam condições mínimas para que mulheres pudessem trabalhar com dignidade. Os banheiros eram impróprios, e a segurança psicológica delas não era sequer considerada”, destacou o executivo.
Essa realidade motivou a criação de um programa interno voltado para a inclusão feminina. “Precisamos entender o papel da mulher na organização e garantir condições para que ela possa pertencer ao setor por escolha de carreira, e não por necessidade”, afirmou. O programa, desenvolvido em parceria com as próprias colaboradoras, busca empoderar mulheres e transformar a logística em um ambiente mais inclusivo e equitativo.
Protagonismo e competência
A Deep Logística tem liderado iniciativas para ampliar a presença feminina e promover lideranças, com base em quatro pilares:
- Aumentar a participação de mulheres;
- Desenvolver lideranças;
- Garantir segurança e respeito;
- Dar protagonismo às profissionais.
Um dos marcos dessa mudança foi a introdução de mulheres na operação de empilhadeiras de grande porte, incluindo modelos de 16 toneladas, tanto elétricas quanto a combustão. Segundo Jeske, no primeiro momento, a iniciativa enfrentou resistência e preconceitos, mas as mulheres demonstraram competência e superaram barreiras.
Apesar do receio inicial, as operadoras aceitaram o desafio. Hoje, cinco mulheres lideram a operação, sendo pioneiras na logística de celulose ao operar empilhadeiras de grande porte. “Elas operam muito melhor que os homens. É dar confiança, quebrar paradigmas e oferecer condições”, destacou o líder.
Microfusão: sustentabilidade no processo de produção
A Micro Metal, empresa expositora na FEIMEC com 40 anos de experiência, adota a microfusão por cera perdida com uma lógica de circularidade, que reduz resíduos em toda a cadeia produtiva.
O fluxo começa com a injeção das peças em cera, que são agrupadas em uma “árvore” e recebem sucessivos banhos de lama cerâmica e areia de diferentes granulometrias para garantir acabamento e resistência. Essa preparação permite que a empresa mantenha controle de perdas e qualidade, pilares de seu compromisso ambiental e operacional.
No coração da estratégia está o reaproveitamento integral da cera por meio de autoclave. Após a formação da casca, a árvore é submetida à autoclave, que promove a retirada da cera sem degradá-la.
“Essa autoclave derrete a cera, e 100% dessa cera retorna ao processo”, explica Mauricio Oliveira, gerente industrial da Micro Metal. A cera é reprocessada com aditivos para compensar o aquecimento e volta ao ciclo, eliminando descartes nessa etapa.
A casca cerâmica, já oca, é calcinada para ganhar resistência mecânica e receber a liga metálica. Após a solidificação do metal, a casca se rompe e seus fragmentos são integralmente recuperados.
Segundo Oliveira, esses resíduos podem ser reprocessados internamente — com retritura e ajuste de granulometria — ou destinados a terceiros, como fabricantes de tijolos refratários e tubos de concreto. Nas palavras do executivo, “essa parte é 100% reciclada”, o que fecha outro elo de circularidade no processo.
Do lado metálico, a Micro Metal reaproveita o próprio material das peças não conformes e do canal central, ambos na liga especificada pelos clientes. Esse conteúdo volta ao forno para refusão e preparação da liga, dispensando sucata externa e mantendo rastreabilidade.
“Basicamente é um processo que a gente consegue 100% de reutilização das matérias-primas que a gente utiliza”, reforça Oliveira, destacando que a prática se alinha ao escopo da ISO 14001.
Vantagem econômica do estande reutilizável
Entre ações demonstradas na FEIMEC, destaque para o programa Better Stands. Nessa edição, 99% dos expositores levaram estandes com estruturas reutilizáveis, com destaque para a Tractian, que repetiu a mesma montagem na Fispal Tecnologia.
Estima-se que mais de 70% dos resíduos gerados em um evento são provenientes do descarte de estandes de uso único. Boa parte desses resíduos nem recicláveis são.
Além das vantagens ambientais, um estande reutilizável também reflete em economia. Para Victor Zanin, lead designer da Tractian, a utilização de materiais leves e que serão reutilizados nas próximas montagens, incluindo paredes, o logo da empresa, teto, totens e bancadas, também é uma vantagem logística. “O custo de locação de espaço acaba sendo inferior ao custo de refação, então o estande acaba ficando até mais barato”, comenta.
Mais sustentabilidade na FEIMEC
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